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Justiça do Rio suspende eleição para vice-presidente da CBF


A Justiça do Rio suspendeu nesta sexta-feira, em caráter liminar, a realização de assembleia-geral extraordinária convocada pela CBF para quarta-feira para eleição de um novo vice-presidente da entidade. A 2.ª Vara Cível acatou pedido do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho. Em seu despacho, o juiz Mauro Cunha Olinto Filho alega que “há indícios de irregularidades na forma de convocação”. Procurada pelo Estado de S. Paulo, a assessoria da CBF afirmou que não foi informada da decisão.

A assembleia foi convocada na sexta-feira da semana passada como primeiro ato do presidente em exercício da CBF, o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES). Ele assumiu a entidade no dia anterior, após o presidente Marco Polo Del Nero ser acusado de corrupção pelo FBI e pedir licença do cargo.

Na decisão desta sexta-feira, o juiz faz questão de ressaltar que a CBF é hoje uma entidade “desacreditada por conta de sucessivos e públicos escândalos”. Entre as irregularidades apontadas pelo juiz está o fato de a convocação da eleição para vice-presidente ter sido feita “sem que haja sequer a indicação de qual dos cinco cargos estaria vago. Presumindo-se que seja o de José Maria Marin, preso no exterior, haveria erro quanto a isso, já que, em que pese a sua situação particular, não há indicativo de renúncia”.

Segundo a CBF, Marin renunciou ao cargo no dia 27 de novembro. Del Nero, no entanto, é acusado pelos seus opositores de ter escondido a carta na qual Marin abriu mão da vice-presidência da entidade.

Presidentes de federações estaduais com direito a voto na CBF alegam que somente na quinta-feira (seis dias depois da convocação da eleição é que foram comunicados pelo secretário-geral da entidade, Walter Feldman, sobre a existência do documento. Ninguém, porém, teve acesso à carta. O caso virou alvo de investigação no Comitê de Ética da Fifa. Um dossiê já está com membros do órgão, que querem saber se a convocação da eleição viola ou não o estatuto da CBF. Se foram provadas irregularidades, o Brasil pode ser suspenso de competições internacionais.

A manobra arquitetada por Del Nero tem o objetivo de eleger para a vaga de Marin o coronel Antônio Carlos Nunes, presidente da Federação Paraense de Futebol. O dirigente tem 77 anos e, assim, passaria a ser o vice mais velho da entidade. O plano é impedir que Delfim, que tem 74 anos e é opositor a Del Nero, assuma o poder. Hoje, Marcus Vicente só está na presidência da CBF porque Del Nero pediu licença e pôde indicar o vice que o substituiria. Em caso de renúncia, o estatuto determina que o vice mais velho assuma a presidência.

Além de ser acusado pelo FBI, Del Nero está sendo investigado na Fifa por “sérias violações do Código de Ética”. O dirigente corre o risco de ser banido do futebol, o que também faria com que o vice mais velho assuma a presidência.

O departamento jurídico da CBF deve tentar cassar na segunda-feira a decisão do juiz Mauro Cunha Olinto Filho. A reportagem apurou que um grupo de opositores já se articula para contra-atacar caso isso ocorra. A ideia é buscar na sequência um novo pedido na Justiça de suspensão da eleição. Presidentes de federações do Nordeste solicitaram à CBF o cancelamento da disputa e, como não foram atendidos, planejam entrar com uma ação contra a entidade para impedir que o coronel Nunes seja eleito. Antes aliados de Del Nero, os dirigentes se sentem traídos. O colégio eleitoral da CBF é formado pelos presidentes das 27 federações e dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Por Redação GN | Fonte: Estadão Conteúdo

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