O setor siderúrgico brasileiro está atualmente em um momento crítico, pressionando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a aumentar as tarifas sobre as importações de aço chinês. Essa demanda surge em um contexto de alegações de que a China estaria praticando preços desleais, o que, segundo os representantes do setor, compromete a competitividade da indústria nacional. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, expressou sua preocupação ao afirmar que as medidas implementadas em 2024 para restringir as importações não tiveram o efeito desejado. Em um cenário alarmante, as importações de aço chinês aumentaram 42% nos primeiros três meses de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 1 milhão de toneladas.
Werneck destacou que as atuais regras, que estabelecem uma tarifa de 25% sobre volumes que excedem uma cota específica, não foram eficazes para conter o fluxo de aço chinês no Brasil. Ele enfatizou a necessidade de um fortalecimento das defesas comerciais, solicitando ao governo que reavalie as estratégias adotadas. Apesar de reconhecer que o governo está aberto ao diálogo, ele também apontou que os técnicos em Brasília estão avaliando como renovar as defesas comerciais sem infringir as regras internacionais, um desafio que se torna cada vez mais complexo no atual cenário global.
Desafios e Subsídios
O CEO da Gerdau também fez um alerta significativo sobre a dinâmica de preços, afirmando que o aço que entra no Brasil está sendo comercializado a preços inferiores aos que as empresas chinesas pagam pelo minério de ferro brasileiro. Essa discrepância é atribuída, segundo ele, aos subsídios que o governo chinês oferece, o que prejudica a competitividade das indústrias brasileiras. Werneck foi claro ao afirmar que o setor não busca uma proteção excessiva, mas sim condições justas de competição, defendendo que a competição deve ser isonômica.
A relação entre Brasil e China é complexa e multifacetada. Recentemente, Lula assinou acordos estratégicos com a China, o que indica uma tentativa de fortalecer laços comerciais. No entanto, o setor siderúrgico se opõe a práticas que considera desleais. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil tem defendido um diálogo transparente sobre o excesso de capacidade da indústria chinesa, enquanto a delegação chinesa argumenta que suas exportações são um reflexo de vantagens competitivas legítimas, não de práticas desleais.
Perspectivas Futuras
Werneck expressou confiança de que o governo brasileiro tomará medidas para defender a indústria nacional, mas reiterou a importância de um ambiente de competição justa. Ele defendeu que as relações comerciais com a China devem ser mantidas, desde que as condições de competição sejam equitativas. A Gerdau, que possui operações nos Estados Unidos, vê as tarifas impostas pelo governo Trump como benéficas, permitindo um crescimento na produção de aço no país. Essa perspectiva sugere que, mesmo em um ambiente de tensões comerciais, há oportunidades para a indústria brasileira se adaptar e prosperar, desde que as condições de mercado sejam justas e equilibradas. *Uol


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