O ex-policial militar Ronnie Lessa e o ex-vereador Cristiano Girão foram condenados a longas penas de prisão por um duplo homicídio ocorrido em 2014, na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O julgamento, realizado pelo 3º Tribunal do Júri, foi presidido pela juíza Tula Correa de Mello. Lessa recebeu uma pena de 90 anos e Girão, 45 anos, ambos em regime fechado.
As defesas de Lessa e Girão planejam contestar a delação premiada de Lessa, alegando que ele mentiu em seu depoimento. O advogado Marcelo Ferreira, que representa o delegado Rivaldo Barbosa, afirmou que a delação não tem eficácia e que Lessa mentiu ao afirmar não conhecer Girão. A defesa de Girão, liderada por Cleber Lopes, também pretende solicitar a anulação da delação.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) argumenta que Lessa foi contratado por Girão para executar o ex-policial André Henrique da Silva Souza, conhecido como Zóio, que havia tomado o controle da milícia de Girão. O casal, Zóio e sua esposa, Juliana Sales Oliveira, foi emboscado e executado enquanto estava em um carro em movimento.
Implicações no Caso Marielle Franco
As condenações de Lessa e Girão podem impactar o julgamento do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já apresentou alegações finais pedindo a condenação de cinco réus, incluindo Girão, por envolvimento no crime. As defesas argumentam que Girão tinha motivos para ordenar a execução de Marielle devido a investigações que o afetaram diretamente.
As investigações da Polícia Federal descartaram a linha de defesa que sugere que Girão estava em uma churrascaria no dia do assassinato de Marielle, afirmando que isso não é um indício suficiente de sua inocência. A urgência de Lessa em executar Marielle, conforme relatado por um cúmplice, será um ponto central nas alegações finais das defesas.
O caso continua a ser monitorado de perto, com desdobramentos que podem influenciar tanto as condenações atuais quanto o julgamento do assassinato de Marielle Franco. O Globo


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