No Nordeste Brasileiro, a guerra de espadas é uma tradição e
geralmente ocorre durante as festas juninas nas cidades do Recôncavo
Baiano como Cruz das Almas, Muritiba e Governador Mangabeira. Nesta
quinta-feira (23), adeptos do ritual junino poderão realizar a disputa
em três ruas do município Senhor do Bonfim, localizado centro-norte da
Bahia, após uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado
(TJ-BA).
No texto apresentado nesta quarta-feira (22), o Juiz de Direito 1º
substituto da Vara Criminal de Senhor do Bonfim, Tardelli Boaventura,
ressaltou que “Ante o exposto, com fundamento no art. 649 do Código de
Processo Penal, CONCEDO em parte a ordem requerida, para determinar que
as autoridades policiais civis e militares se abstenham de prender em
flagrante pessoas que estejam, no dia 23 de junho de 2022, portando ou
empregando o uso do artefato conhecido como “espada” nas ruas que
costumam ser palco do evento: ruas Costa Pinto, Júlio Silva e Barão de
Cotegipe, na cidade de Senhor do Bonfim”.
Para justificar a necessidade da liberação do evento tradicional, a
advogada dos espadeiros, Camila Machado, levantou questionamentos, que
serviram para enaltecer a importância histórica da “guerra de espadas”
para os moradores locais. “Como explicar às dezenas, talvez até
centenas, de pessoas idosas desta cidade que aquela festa tradicional
que elas e os filhos delas sempre participaram agora é crime? Seria
possível, a partir de uma nova interpretação das normas legais, feita
por alguns agentes do Estado, enquadrar um evento histórico desse como
uma ação criminosa?”, perguntou Camila. *FN


0 Comentários