Durante a Operação Cinderela da Polícia Civil, os investigadores
descobriram que pais recebiam por dia dos próprios parentes para
submeterem os filhos à prática de mendicância. “Uma espécie de diária,
uma percentagem do valor arrecadado”, declarou a titular da Delegacia
Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente
(Dercca), a delegada Simone Moutinho. Mais de 20 crianças foram
encaminhadas para o Conselho Tutelar nessa quinta-feira (23).
Moutinho
preferiu não dar detalhes de como era a negociação e nem o valor das
diárias, justificando sigilo pelo fato da situação estar relacionada
a menores de idade. Segundo a delegada, os perfis das vítimas eram
crianças e adolescentes entre zero e 14 anos. “Essas crianças vinham de
várias partes, do subúrbio de Salvador, no Parque das Bromélias, em
Itinga, Região Metropolitana, por exemplo”, disse ela.
Em
relação aos pais e parentes envolvidos, eles foram responsabilizados
criminalmente. “Estão respondendo inquérito policial regular para apurar
a prática de exploração infantil. Já as famílias serão acompanhadas
pelo Conselho Tutelar. Ao final do processo, podem até perder o poder de
família, mas isso é uma decisão judicial”, pontuou a delegada.
Ainda sobre
os pais, Moutinho disse que alguns deles já foram presos. “Há pais que
trabalham, há outros que vivem na informalidade, outros que vivem da
mendicância e há também pessoas com fichas criminais”, disse ela.
Operação
A
investigação começou através de denúncias. “Recebemos informações que
crianças eram emprestadas ou alugadas para adultos e praticavam a
mendicância, em semáforos e outros locais com movimentação na cidade.
Existe um contexto social que não podemos deixar de lado. A exploração
dessas crianças é crime, mas o combate a estas práticas também passa
pelo viés do acolhimento”, afirmou a delegada Simone Moutinho.
Durante as ações, 20 crianças acompanhadas de adultos foram
encaminhadas para a unidade especializada. Com o suporte do Núcleo de
Inteligência do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), as
equipes coordenadas pela delegada Simone Moutinho, fizeram abordagens
nos estacionamentos de supermercados localizados na Rótula do Abacaxi,
na Avenida Paralela e em semáforos da Pituba.
“Algumas crianças
encontradas ainda são bebês de colo, demonstrando uma situação de
vulnerabilidade e exposição”, detalhou a titular da especializada. Os
familiares e adultos que estavam com as crianças foram ouvidos, e a
Dercca instaurou inquérito regular para investigar a prática de
exploração infantil.
Eles também foram advertidos pelo Conselho
Tutelar do município e, após identificação, as crianças foram
encaminhadas para outros familiares. A unidade especializada também
encaminhou as famílias para análise da possibilidade de serem integrados
a programas sociais da Prefeitura. Uma van foi disponibilizada pelo
Salvador Shopping, para dar apoio à operação. *Correio da Bahia


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