No pão dormido, na garrafa de café e até nas roupas no varal. A Física, disciplina das mais temidas pelos estudantes que vão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021, está em todo lugar e explica muitos fenômenos que até sabemos que acontecem, mas não entendemos o motivo. E é justamente o processo de assimilar a razão pela qual o pão fica rígido, o café permanece em alta temperatura no quente-frio e as roupas secam com mais velocidade ao vento, que pode facilitar a aprendizagem, dizem professores, que afirmam, ainda, que a matéria pode deixar de ser dor de cabeça quando o fenômeno físico é ligado ao conceito na mente dos alunos.
Alessandro Barros, professor e coordenador da Licenciatura em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifba) no Campus Salvador, salienta a importância de se questionar e aprender o porquê das mais simples decisões. “Em termos gerais, os estudantes não conseguem fazer a relação entre a física da sala de aula com a física do seu dia a dia. E muitas decisões que eles tomam são baseadas em física. Por exemplo, quando está frio, escolhe a roupa com tecido mais grosso sem saber explicar que aquele tipo de roupa é um condutor térmico pior, que o frio vai se transmitir por ele com dificuldade maior”, diz Barros.
Para todo lado
Ainda segundo o professor, que também é supervisor do Programa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid) no Ifba, tentar observar e relacionar conceitos pode facilitar o processo de aprendizado na sala de aula. “É fundamental fazer essa ligação entre coisas simples e a física. Quando o aluno vê isso na prática, assimila melhor o conteúdo porque entende o conceito e não decora a fórmula. A física vai além das equações. O Enem hoje é mais que resolver exercícios, ele traz coisas do seu dia a dia para você analisar e resolver o problema”, explica.
O professor Joelson Souza, que dá aula no Colégio Antônio Vieira, concorda e salienta que esse tipo de assimilação casa perfeitamente com a prova desde 2009 para cá. “Parece que o que eles vêm na física não tem nada a ver com a realidade. Para minar isso, a gente inverte a lógica. Começamos a partir do fenômeno para a teoria. Física é uma ciência que estuda a natureza, a vida deles. Então, a grande sacada é trazer esse cotidiano para a sala de aula”, diz Souza, alertando que não é com todo conteúdo que dá para fazer isso.
Estudantes
Geovanna Cairo, 17, até se dá bem na parte teórica da matéria, mas diz ter dificuldade com as contas e fórmulas, que pioraram sua relação com a disciplina. Isso, no entanto, não a impede de fazer relações entre a física e a realidade, melhorando seu entendimento do conteúdo.
“Relacionar a física ao meu cotidiano me ajudou muito a entender melhor elétrica, como naqueles choques que tomamos ao abrir o chuveiro. Eles, normalmente, acontecem quando você tem um machucado no dedo porque a corrente que escapa da resistência do chuveiro elétrico é bem baixa e, em muitos casos, não rompe a resistência da pele. Claro que tem assuntos que é mais complicado pensar na prática, mas essa relação ajuda muito, diz ela, que quer cursar Medicina.
Paola Fioravante, 17, pondera que, para fazer essa relação, é importante o incentivo do professor. “Para um aluno enxergar isso, é necessário que o assunto não seja muito específico e que o professor tenha didática que forneça esse tipo de visão, o que no meu caso, foi muito raro. Sou muito grata a um dos meus professores do 2ª ano [do ensino médio]. Ele me ensinou tudo da parte de elétrica, justamente usando esse método de relacionar com o cotidiano. Foi o único assunto de física que realmente aprendi”, conta Paola, que fará o Enem buscando aprovação em História
Mas, tem estudante que não se vê fazendo as associações e tem receio de que isso seja mais uma coisa para “decorar”, como Clara Coutinho, 17, que pretende fazer Psicologia e está em aulas de reforço desde o 1º ano do ensino médio para aprender melhor a disciplina.
“Tenho dificuldade de fazer essa relação no dia a dia. Quando estou estudando com a professora até consigo captar algumas das relações, mas sozinha não é algo tão simples. Eu também não sinto que essas relações ajudam na compreensão do assunto, só é mais uma informação para decorar”, afirma Clara. Leia mais AQUI. *Correio da Bahia


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