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Primeiro dia do Enem Digital registra baixo movimento de candidatos

 

Primeiro dia do Enem Digital registra baixo movimento de candidatos

O primeiro dia da modalidade digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi de movimento fraco na manhã deste domingo, 31. Protegidos com as devidas máscaras, os estudantes começaram a chegar nos respectivos locais de prova restando pouco tempo para os portões se abrirem.

Na Faculdade Estácio de Sá, no bairro do Stiep, apenas no momento de abertura dos portões houve maior fluxo de candidatos, que já aguardavam do lado de fora. Depois disso, os inscritos passaram a chegar aos poucos e, geralmente, de forma individual.

De acordo com o diretor comercial da instituição, Jorge Amorim, cerca de 300 computadores especializados para a realização do exame foram disponibilizados para os alunos. Segundo ele, a situação da pandemia aparece como fator primordial para justificar diretamente esse fluxo reduzido dos alunos. A prova digital foi aplicada em 104 cidades brasileiras, com a expectativa de participação de 93 mil estudantes. Até o fechamento desta reportagem, o Inep ainda não havia divulgado a taxa de abstenção dos estudantes para o primeiro dia do Enem Digital. 

"Acredito que tenha a ver com a pandemia. Não estamos com notícias boas. Creio que isso termina influenciando bastante para o aluno, que fica com medo e bastante apreensivo. Fora aqueles que, por ventura, apresentaram algum sintoma da Covid-19. Então, com certeza, o baixo quantitativo de candidatos se dá por esses fatores", explicou Amorim.

A edição 2020 do Enem teve uma versão impressa, aplicada nos dias 17 e 24 de janeiro, que contou com cerca de 2,5 milhões de estudantes, o que correspondeu a menos da metade dos inscritos. A taxa de abstenção foi superior a 51 e 55% no primeiro e segundo dia, respectivamente. Já a versão digital será finalizada no próximo domingo, 7.  

Impresso x Digital

O novo formato dividiu a opinião dos estudantes. De um lado, estão aqueles que concordam com a mudança dos tempos e acreditam que o modelo digital veio para ficar. De outro, muitos candidatos acreditam que ainda existe um longo caminho a ser percorrido, de modo que a realização do Enem, com uso de computadores, não contempla todas as classes sociais, uma vez que nem todos possuem acesso à tecnologia.

Estudante da rede particular de ensino, a candidata Iandra Carvalho, de 23 anos, é uma das pessoas que não concorda com o formato e acredita que a disparidade social é um fator predominante e gerador de desigualdade entre aqueles que estão realizando a prova.

“Nem todo mundo possui a disponibilidade da gente. Eu tenho acesso a computador e celular, mas muitas pessoas não têm. Então acredito que isso terminaria não sendo muito legal. Além disso, acredito que também não haveria uma pessoa disponível para auxiliar os candidatos”, disse.

Aluno da rede pública, Ícaro Henrique, de 18 anos, está realizando o Enem pela terceira vez. Segundo ele, a aplicação da prova digital pode ser considerada um “grande passo”. Ele afirma que a prova física gerava muito desperdício por parte dos alunos, gerando poluição do meio ambiente.

“Vai parar de gastar papel. De certa forma, pode ser considerado como desperdício. O aluno faz a prova, leva para casa e fica guardado por semanas ou meses e depois jogam fora. Então para onde vai parar aquele imenso caderno de questões? Acho que isso é muito bom, principalmente para a integração”, destaca.

A expectativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é que as provas do Enem passem a ser aplicados no formato digital em sua totalidade até 2026. No entanto, de acordo com os dados do Censo Escolar compilados pela plataforma QEdu, cerca de 22% das escolas de ensino médio não possuem laboratórios de informática, números que gerariam um desequilíbrio na preparação dos estudantes.

Preparação dos alunos

Já formada em pedagogia e atuando como técnica de enfermagem, Jocilene Oliveira, de 30 anos, quer tentar um nova graduação, desta vez na área de saúde. No entanto, mesmo possuindo a experiência de ter realizado provas de vestibular, Jocilene garante que a pandemia pode ter atrapalhado um pouco seus planos, pelo menos nesse primeiro momento, e que não está muito confiante para o seu resultado neste exame.

“Por ser pela primeira vez no formato digital, eu tive a curiosidade de tentar e sair da mesmice. Estamos economizando papel também. Mas independente disso, queria ver como iria ser mesmo. Acho que vale a experiência, ver como vai ser. Só fazendo para saber se aprova ou não. Sendo bem sincera, não estou com muita expectativa de passar. Como o ano foi de pandemia, tudo de forma remota, ainda existem muitas limitações, rede de internet caindo e a necessidade de tecnologias, por exemplo”, relatou Jocilene.

Quem também teve dificuldades estruturais na preparação para o Enem foi o estudante da rede pública Denilson Patrício, de 22 anos. Ele relata dificuldade de adaptação em estudar de maneira remota, considerando que a metodologia presencial é “mais evolutiva” e que a digital requer maior atenção por parte do estudante.

“Infelizmente, não foi fácil (a preparação). Você sabe que temos um grande déficit na educação pública. Então a preparação foi bem complicada. Mesmo que existam aulas a distância, assistindo pelo Youtube ou outros canais, não é igual às aulas presenciais. Acredito que muitos alunos da rede pública não terão êxito na prova. As presenciais possuem uma metodologia mais evolutiva. A questão da concentração em aulas a distância também é algo que atrapalha um pouco”, afirmou Denilson.

Por outro lado, o estudante Ivsson Araújo, que sempre estudou na rede pública de ensino, afirma se preparar em casa foi a melhor opção. Segundo ele, a rotina de deslocamento para colégio e trabalho terminava consumindo muito tempo no dia, o que resultava em menos horas de estudo.

“A questão foi seguir o mesmo roteiro. No entanto, eu acho que estudar pelo digital é muito mais simples, porque eu consigo gerenciar melhor minhas horas de estudo de forma prática. Antes, eu precisava separar o tempo que eu saía para o colégio ou trabalho e, quando retornava, sobravam duas horas. Agora, eu consigo programar minhas horas, uma vez que é tudo digital”, descreveu.

Pós-prova e tema da redação

A redação do Enem Digital abordou o tema "O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil". Em um momento pandêmico como o atual, o estudante Denilson Patrício relatou ao Grupo A TARDE, após terminar a prova, que ficou bastante surpreso com a proposta do texto dissertativo-argumentativo. Segundo ele, as apostas estavam em algo relacionado à área de saúde.

“Eu acreditava que seria um tema mais relacionado à saúde, até para balancear o nível de dificuldade que teve na prova impressa. Me surpreendeu bastante falar sobre esse tema. Acreditava que seria qualquer coisa voltada para a saúde, menos isso”, garantiu.

Apesar da prova ser predominantemente digital, a redação permaneceu em formato analógico, com os estudantes escrevendo à caneta ao invés de digitar. *A Tarde

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