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Atletas olímpicos se concentram em Portugal de olho em Tóquio-2021


Uns atletas estão com data marcada para chegar e outros estão prestes a retornar ao Brasil. Idas e vindas têm sido, em parte, a rotina do Time Olímpico brasileiro nas instalações do CT Rio Maior, em Portugal. No território lusitano, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) organizou para este mês de agosto a retomada dos treinamentos visando aos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021, chamada oficialmente de Missão Europa.

Novos integrantes do programa, que estão com embarque marcado para Portugal a partir de setembro, os atletas do ciclismo vão se juntar ou substituir modalidades que já estão lá como o boxe e a ginástica. O grupo ficará confinado entre os dias 2 de setembro e 8 de outubro. Na sua vez, os especialistas do pedal estarão representados por nomes como Bruno Cogo e Renato Rezende, no masculino, Júlia Alves, Paôla Reis e Priscilla Stevaux, no feminino.

A ideia do COB surgiu para compensar o fechamento dos principais centros de treinamento do Brasil, devido ao avanço da pandemia. A viagem dos atletas do Time Brasil à Europa exige antes a realização obrigatória de exames para a covid-19, conforme reza o protocolo estabelecido pelas autoridades sanitárias dos dois países, e cumprir uma série de regras protetivas e preventivas.

Para os aprovados no processo como as modalidades do boxe e ginástica, a recompensa de sair de um treino solitário não tem preço. Antes, a participação do técnico era apenas virtual. Agora, além dele se tornou possível o treino coletivo reunindo vários atletas e treinadores, razão suficiente para ampliar o sorriso de quem estava isolado pela pandemia.

A Missão Europa possibilitou também a mistura de várias modalidades no mesmo espaço de treinamento. O boxe e ginástica já citados trocaram impressões no centro de treinamento em Rio Maior. Segundo o próprio COB, aquele é um dos atuais endereços do Time Olímpico brasileiro na preparação para Tóquio-2021, assim chamado depois que a maior competição do mundo foi adiada para a partir de julho do ano que quem.

Desde o começo do mês de agosto, modalidades como essas têm convivido no mesmo espaço de treino e de descanso enquanto desenvolvem esforços para voltar à forma física e técnica. Respeitando obviamente o rígido protocolo de saúde local, os atletas têm dividido inclusive conhecimento da modalidade um do outro.

Um exemplo é a triatleta Luiza Baptista, que desde os últimos cinco meses que passou em isolamento não via tanta gente boa junto. “É muito legal estar trabalhando em um grupo forte como o que se formou por aqui. Com certeza aproveitarei para me desenvolver como atleta e voltar a treinar em ritmos mais similares aos das provas”, comentou a triatleta.

Os momentos de treino solo, pedalando sobre o rolo, ficaram para trás com a chegada dela e dos outros colegas à Europa. “Apesar de ter conseguido manter uma boa estrutura de treinos durante o período de quarentena, a Missão Europa vai agregar muito na preparação por diversos motivos: conseguiremos nadar mais vezes na semana, pedalar na rua e em pelotão, voltando o trabalho técnico que não era possível enquanto pedalávamos no rolo”, comentou a triatleta, medalha de ouro no Pan de Lima-2019.

Colega de modalidade esportiva, Miguel Hidalgo trata o CT de Rio Maior como velho conhecido por ser esta a quinta vez em que treina no local. A estrutura que dispõe de piscina, pista de atletismo e opções de estradas para pedalar voltaram a fazer parte da experiência de treinamento do campeão sul-americano júnior em 2018.

Enquanto um grupo treina, um outro de folga se inspira nesse, pelo fato de a proximidade de um equipamento ao outro facilitar a audiência. A experiência está registrada na galeria de fotos do celular de atletas como Maria Bruna, do nado artístico, que além de conhecer de perto a equipe de boxe ‘subiu’ ao ringue com alguns lutadores.

“Está sendo uma experiência única, possibilita reintegrar o grupo, algo que estava sendo muito difícil. Estamos conseguindo ganhos físicos e psicológicos que foram perdidos devido à pandemia”, analisou o boxeador baiano Keno Machado, de 20 anos.

Ele disse que a confiança no trabalho de agora acabará se somando positivamente ao que já vinha sendo feito em solitário. “Porque aqui em Portugal estamos tendo toda uma estrutura própria para fazermos o que temos de fazer no nosso trabalho e temos interação com outras modalidades”, acrescentou.

Nessa interatividade, às vezes, a maior de todas as oportunidades está entre colegas do mesmo esporte. É o que observa o tenista João Menezes. “Por exemplo, eu que estou aqui com Tomaz Bellucci, que é um cara que foi 20º do mundo, então posso aprender muita coisa e posso treinar com um cara de alto nível também”, disse o tenista.

Para ele, a iniciativa do COB deverá acrescentar também uma chegada antecipada à Europa e fazer uma boa aclimatação com calor. Além de uma adaptação do fuso horário e, ainda, sentir realmente as condições dos jogos já que ficará por lá para disputar alguns torneios separado do grupo.

Competições e Jogos

Segundo o planejamento dele, após a Missão Europa vai competir em alguns torneios da modalidade Challenger, provavelmente na Itália, enquanto aguarda o torneio qualificatório para o Grand Slam de Roland Garros, em setembro, no qual tem interesse. Ritmo de jogo aliás é o único detalhe do qual os atletas sentiriam falta no momento.

É do que, segundo eles, faria grande diferença na hipótese de que os Jogos Olímpicos estivessem marcados para o final deste mês. “Se eu estaria pronto, acredito que sim. Mas eu iria fazer mais ou menos como fiz em Lima, no Peru: Chegaria um pouco despretensioso e iria dar o meu melhor e lutar com todas as minhas forças por cada jogo, por cada ponto, por cada bola”, previu Menezes.

Fisicamente e tecnicamente ele acredita estar pronto. “Até porque durante a pandemia nós tivemos muito tempo de treino. O que, com certeza, está faltando é ritmo de jogo. Isso daí vem com as competições”, finalizou.

Já para a triatleta Luísa Baptista, caso a Olimpíada tivesse a sua data mantida para este mês a maior dificuldade seria precisar antecipadamente algum desfecho para as competições. “É difícil prever resultados, porém, sei que na pandemia pude cumprir cem por cento das atividades propostas de treino e saí delas muito bem preparada. Tivemos um pouco de dificuldade para nadar, mas acredito que com as três semanas aqui e um trabalho consistente na modalidade, eu já volte ao que estava antes da pandemia começar”, analisou a atleta.

O boxeador baiano Keno Machado acredita no potencial da modalidade no Brasil. “Com certeza, íamos lutar da mesma forma como se não houvesse pandemia. Porém é algo complicado. Não dá para saber a real perda que tivemos, já que não vamos a uma competição oficial há cinco meses. Não dá para mensurar como estamos em nível mundial, mas, de qualquer forma, sempre vamos lutar para sermos campeões”, concluiu o pugilista baiano. *AT/Esportes

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