O Grupo Gay da Bahia (GGB) elaborou uma notícia-crime que entregou ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra o cantor Robyssão por conta da música "Quem banca é o viado".
Citando dados de violência contra gays na Bahia e no Brasil, o GGB lembra que mesmo com conquistas em reconhecimento vindo do Judiciário, os homossexuais ainda são alvo de ódio e preconceito por parte da população.
A organização pede que o MP instaure procedimentos para apurar a música "Quem banca é o viado", de Robyssão. "Consideramos que a referida música incita o preconceito contra um segmento (LGBT) em especial e outros grupos sociais por analogia. Incita um patrulhamento dos demais aos LGBT associado a certa criminalidade nas relações e relacionamentos, inclusive, afetivo, desqualificando e desconsiderando a possibilidade do afeto entre as pessoas", diz a denúncia.
Para o GGB, a música "cria um estresse emocional" nos LGBT, especialmente em quem, por conta da homofiba, vive um relacionamento secreto. "Se as pessoas não se assumem como são, não é por vontade delas, porque ninguém esconde algo tão importante em suas vidas por desejo, mas por medo", complementa o texto.
Para o grupo, ainda é possível dizer que o termo "viado" é utilizado "como um ultraje a sua dignidade de ser pessoa e aos seus direitos civis". A música ajuda a criar "um estereótipo", diz o GGB. "A música executava também causa danos aos jovens de periferia, cria um estereotipo por analogia de que pessoas do sexo masculino que ostentem roupas, acessórios como bonés, telefones celulares, calças, camisas, tênis, tatuagens sejam provenientes de mimos ofertados por homossexuais em troca de sexo ou ainda que esses bens tenham sido adquiridos por meio de apropriação indébita, roubo, considerando que a maioria desses indivíduos não possuem vinculo laboral fixo ou sazonal. Essa associação causa estresse emocional e pode desembocar em atos de violência física tendo como ponto de partida a “gozação” do bonde e da geral citada pelo cantor na música", finaliza o texto.
A Comissão da Diversidade Sexual e Enfrentamento à Homofobia da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia, também divulgou nota de repúdio condenando a música, classificada de "grotesca". "Observa-se que a letra traz um conteúdo altamente preconceituoso e homofóbico, estigmatizando o homossexual e colocando-o em uma situação de vulnerabilidade. Após anos de árdua luta, o direito homoafetivo alcançou avanços significativos, tais como a tutela jurídica da união entre pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de utilização do nome social pelo indivíduo transgênero, dentre inúmeros outros", diz o texto. "Compactuar com manifestações como a indigitada música do cantor Robyssão, seria o mesmo que corroborar com o estigma inverossímil de que inexiste afetividade nas relações entre pessoas do mesmo sexo e, ademais, com a estigmatização do jovem morador da periferia como um "gigolô".
O GGB já havia organizado um concurso para escolher uma música em resposta à canção de Robyssão. A escolhida foi "Mais amor por favor", com letra da professora Salete Maria, da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A letra recebeu arranjos e voz do cantor baiano Mr. Galiza. Ouça aqui
O cantor Robyssão não foi localizado para comentar o assunto.
Fonte: Correio 24h



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